Quem vive nos Estados Unidos já se habituou com o dólar, evidentemente. Entretanto, em outros países, como o Brasil, dólar é sinônimo de investimento. O executivo comercial da Advanced US, Leandro Araújo, cuja missão é a captação de clientes e divulgação da marca, explica como a companhia na qual trabalha vem se destacando em um segmento em que há uma linha bastante tênue entre legalidade e ilegalidade.

Segundo o executivo, esta instituição financeira opera no mercado cambial desde 2001 no Brasil e tem uma base de clientes de mais de 20 mil pessoas, ocupando atualmente o 2º lugar em Corretoras de Câmbio no ranking do Banco Central. “Já fizemos operações acima de 20 bilhões de dólares”, exulta Araújo. Acima da Advanced US está apenas a poderosa Western Union, que tem presença mundial. Claro que este ranking deixa de fora os bancos, que têm sua área de câmbio, mas atuam em um sistema mais diversificado.

Ao fazer um comparativo entre MoneyGram, Western Union e Xoom, por exemplo, Araújo admite que elas levam vantagem quando se trata de envio de pequenas quantias, valores abaixo de $1,000, por exemplo. “Elas são mais conhecidas aqui nos EUA do que no Brasil e contam com a facilidade de terminais e quiosques para fazer suas operações. Entretanto, elas têm limites de operações baixas e cobram taxas de juros bem elevadas. Além do mais, seus usuários podem enviar dinheiro usando aplicativos instalados em seus smartphones”, explica. Porém, não é possível enviar quantias elevadas usando estes recursos, uma vez que o Federal Reserve tem um controle rígido para evitar lavagem de dinheiro ou evasão fiscal.

Vantagens para se usar Advanced US

Com tantos facilitadores, por que usar os serviços da Advanced US? O executivo garante que a companhia, no geral, tem taxas mais competitivas. Além do mais, oferecem como principal diferencial um serviço de consultoria, conforme frisa Araújo: “Nossa consultoria, indica como transferir dinheiro do Brasil para cá e orienta a melhor maneira de fazer isto a fim de evitar pagamento de taxas desnecessárias, etc”. Aliás, impostos é o que não falta no Brasil. A fim de facilitar a compreensão do processo, o executivo recorre a um exemplo: “Se um cliente está no Brasil e deseja pagar um advogado aqui nos EUA, terá de recolher seis impostos no BR (IOF, Cofins, IR, dentre outros). Ou seja, só para liberar esta contratação de serviço, consome-se 18% do valor a ser remetido. Os outros impostos precisam ser negociados com o contador do cliente”. E toda vez que se contrata serviço no exterior é necessário avisar ao Banco Central. Dentro desta consultoria, Advanced US pode cobrar do cliente porque o Siscotec, um imposto que muitas vezes ele não sabe que existe ou simplesmente não quer pagar. É uma tentativa que pode ou não dar certo. Porém, se cair em uma auditoria, o cliente terá de recolher o imposto, com sobretaxa.

Advanced US tem um escritório meramente comercial nos EUA. As operações são todas efetuadas pelo escritório da companhia em São Paulo. O processo de envio de dinheiro sempre segue para o Brasil, e lá chega na conta da Advanced, mais exatamente no Banco 117 Advanced – porque a corretora tem um banco no Brasil. Aí, o cliente é comunicado sobre o recebimento e orienta a empresa sobre como proceder. Se segura um pouco mais o dinheiro, se deposita em uma conta bancária no Brasil ou se transfere para um credor.

Araújo destaca que esse mercado é altamente regulamentado, tudo é fiscalizado. “Sobretudo depois da Lava Jato, várias corretoras foram fechadas pelo BACEN e nós operamos há bastante tempo. O primeiro passo para usar os serviços da corretora é preencher um cadastro e uma ficha cadastral e de assinaturas. No caso do Brasil, tem de ir ao cartório para reconhecer firmas”.

Trabalho de análise para comprovar fontes de recursos

Antes de fazer qualquer operação, Advanced faz um trabalho de análise para comprovar se as fontes são lícitas. “Checamos com BCs do mundo inteiro. Buscamos notícias na mídia. Realizamos vários processos até se aprovar ou não esta operação. Entre 2 a 3 dias, o cliente tem a resposta. Geralmente, é positiva, porque prevalecem as pessoas honestas”. Entretanto, se alguém chegar com dinheiro e não puder comprovar sua origem lícita, a corretora de câmbio simplesmente não efetua a operação.

Um grande serviço prestado pela Advanced é dirigido para os turistas. A corretora emite um cartão de crédito onde é depositada uma quantia que pode ser gasta durante a viagem. A vantagem neste caso é ninguém ter um infarto ao receber a fatura quando retornar de viagem. “Como o crédito é feito em dólares, o turista sabe exatamente quanto está gastando e evita surpresas desagradáveis como ocorre com os cartões internacionais que convertem dólares em reais”, comenta Araújo.

Os principais clientes da Advanced são empresas que desejam enviar dinheiro para cá ou daqui para lá e pessoas físicas com patrimônio que desejam enviar dinheiro para os EUA – aliás, Advanced pode operar somente com o Brasil, porque a sede da corretora dica em São Paulo. Não se pode enviar dinheiro para outro país a partir do escritório instalado na Brickell Avenue em Miami. Além de Araújo, integram a Advanced US Thiago Belloni, diretor e um dos sócios da empresa e outro funcionário.

Embora esteja fisicamente instalada em Miami, Advanced US não quer limitar-se ao Sul da Flórida. “Temos planos de ir para Orlando, área de Boston, Califórnia, New York, New Jersey, Atlanta, ou seja, onde houver presença de brasileiros aqui”, comentou o executivo. Para isto, Advanced US está formando parcerias, com contadores, advogados, e outros profissionais de serviços.