Começou na terça-feira (7), em Brasília, a 6ª edição do maior fórum de investimentos da América Latina – o BrasilInvestment Forum (BIF). Durante a cerimônia de abertura, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e outras autoridades, discursaram sobre o momento oportuno para que investidores estrangeiros aportem recursos no Brasil. Realizado em parceria entre Governo Federal, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o evento, que reúne autoridades, empresários e investidores, tem o objetivo de apresentar e debater as oportunidades para investimentos estrangeiros no país. Pela primeira vez, o BIF está acontecendo em Brasília, no Palácio Itamaraty. Ao longo de dois dias, painéis temáticos destacarão a diversidade de iniciativas que podem atrair investimentos para o Brasil, como transição energética, desenvolvimento sustentável, inovação e tecnologia, agronegócio e negócios de impacto. 

“O Brasil tem tudo para que a gente tire proveito do momento histórico que estamos vivendo”, disse o presidente Lula, ao se referir sobre o potencial do país para soluções globais relacionadas, principalmente, às mudanças climáticas, transição energética e segurança alimentar. Segundo ele, as soluções para o desenvolvimento de uma indústria sustentável que o mundo está em busca estão aqui no Brasil. “Se depender da vontade do nosso governo, quem quiser fazer investimento para produzir uma indústria verde não precisa procurar, tem um lugar chamado Brasil em que a natureza nos garante competitividade, nos garante sol, nos garante água e nos garante a possibilidade de se transformar no maior produtor de energia limpa e renovável do planeta Terra”, afirmou o presidente.  

Lula falou também sobre os avanços tecnológicos e de inovação do país, e destacou ainda que o Brasil já esteve em situação de país de terceiro mundo, de país em desenvolvimento, e que agora compõe o grupo de países do Sul Global , o que, segundo ele, reflete o nosso crescimento e o potencial para se desenvolver ainda mais. Mas, para isso, é preciso unir forças e fazer parcerias.  

“Eu digo para vocês que nós vamos garantir estabilidade política, estabilidade social, estabilidade jurídica, nós vamos garantir para vocês estabilidade fiscal e nós queremos garantir a possibilidade de vocês colocarem a inteligência empresarial para que esse país cresça cada vez mais”, reforçou Lula. 

Além do presidente da República, a abertura do BIF contou ainda com falas do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, do ministro de Relações Exteriores, (MRE) Mauro Vieira, da ministra do Planejamento e Orçamento (MPO), Simone Tebet, do presidente do BID, Ilan Goldfajn, e do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, que deu início à cerimônia destacando o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como a essência da 6ª edição do BIF.  

“Nenhum país do mundo, nesse período, está apresentando um programa tão robusto de atração de investimentos como o Brasil com esse novo PAC lançado recentemente pelo presidente Lula”, disse Viana. “Um investimento que muda a vida dos brasileiros, que gera emprego, que faz com que as parcerias públicas e privadas possam se estabelecer. Acho que o PAC é o símbolo desse sexto fórum de atração de investimentos que a ApexBrasil, junto com o BID, tem a honra de realizar, especialmente aqui dentro do Itamaraty”, afirmou. O presidente da ApexBrasil disse ainda que o BIF tem o propósito de retomar o protagonismo do Brasil como um espaço de atração de investimento, e que o país, que no ano passado foi o terceiro maior destino global de investimentos estrangeiros diretos, está com perspectivas de subir ainda mais um patamar.  “De 12ª economia do mundo, os analistas já colocam o Brasil fechando 2023 como a nona economia do mundo”, afirmou. 

Já o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin, aniversariante do dia, destacou o avanço da neoindustrialização do país, que nada mais é do que o processo de modernização do setor industrial. Segundo ele, a reforma tributária, que simplifica, retira a cumulatividade e desonera completamente investimento e exportação, é central para esse processo, bem como a desburocratização e o estímulo à pesquisa e à inovação, que estão sendo promovidas por esse governo. 

“Confiança é a forma mais barata de estímulo econômico”, disse Alckmin, destacando os números positivos do país. “O Brasil surpreendeu positivamente. O Risco Brasil caiu 27%, sendo a média dos países emergentes 13%. O câmbio começou com 5,4 e hoje é 4,8. O Juros está em queda, tanto a Selic como os juros futuros. Desemprego também está em queda. O PIB surpreendeu positivamente. Então tivemos um primeiro ano de governo positivo, no sentido de avançar, mesmo no cenário mundial mais difícil”, concluiu.  

A ministra Simone Tebet também destacou a importância da neoindustrialização para o desenvolvimento social, e reforçou também o engajamento do país com as questões de gênero, de raça e de sustentabilidade. “Diante dos investidores que aqui estão digo que o Brasil voltou a planejar o seu presente e o seu futuro, acreditando em si mesmo e otimista para um desenvolvimento sustentável”, afirmou a ministra. Tebet reforçou também a importância da integração regional com países da América do Sul, que tem muito a oferecer ao Brasil e vice-versa. “Juntos podemos fazer a diferença”, disse. 

A pauta ESG, que diz respeito aos pilares ambiental, social e governança, foi abordada pelo ministro Embaixador Mauro Vieira, do Ministério de Relações Exteriores. Segundo ele, reforçar o comprometimento do país com a sustentabilidade é fundamental quando se trata de atrair investimentos para o Brasil. “Somos um potencial único no planeta; temos um ambiente regional pacífico, matriz energética limpa, capacidade de alimentar o mundo, de produzir insumos para transição energética e capacidade de promover uma reindustrialização de forma compatível com a descarbonização”, afirmou. 

Para Vieira, o BIF é a ocasião perfeita para a aproximação público-privada e divulgação das oportunidades de investimento no país. O ministro também reforçou a importância do BIF 2023 acontecer, pela primeira vez, no Palácio Itamaraty. Segundo ele,  isso fortalece ainda mais a parceria com a ApexBrasil “que tem ampla capilaridade no exterior e robusta rede de contato com os mais importantes agentes econômicos mundiais”.  

Por fim, o presidente do BID, Ilan Goldfajn, disse que, nesse momento, e daqui para frente, “o mundo precisa da América Latina, pois é onde está grande parte das soluções para os desafios globais”. Ilan também destacou o momento oportuno para investir no país, que é hoje um exemplo de oportunidades no contexto global. “O Brasil pode e deve ser líder global na defesa da biodiversidade”, disse Ilan, citando o potencial de investimento em bioprodutos na Amazonia, que deve ser catalisadora para uma economia de baixo carbono. “O mundo precisa do Brasil para a transição energética, para garantir a segurança alimentar e para cuidar da natureza”, concluiu.    

Também estiveram no palco da abertura a ministra de Meio Ambiente e Mudanças do Clima, Marina Silva, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, o presidente do BNDS, Aloizio Mercadante, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que após a cerimônia apresentou um keynote session para o público presente.