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Brasileiro comanda um hub internacional de negócios na Flórida 

Há um fato indiscutível no segmento de negócios nos Estados Unidos. As grandes empresas, os principais eventos e as maiores inovações sempre têm a participação de pelo menos um imigrante em sua formação. Foi assim com o Google, onde o americano Larry Page se uniu ao russo Sergey Brin, com o Yahoo, que teve como fundadores o americano David Filo e o chinês Jerry Yang, com o Hotmail, criado pelo indiano Sabeer Bhatia, com o Bank of America que teve como fundador o italiano Amadeo Pietro Giannini, com o Facebook de Mark Zuckerberg e do brasileiro Eduardo Saverin. Pois bem, outro brasileiro está querendo inscrever seu nome no mundo dos negócios americanos. Trata-se do paulista Carlo Barbieri, consutor e empresário que obteve a concessão para criar e administrar o hub de negócios internacionais no Seaport Manatee, terminal marítimo instalado na área de Tampa Bay, costa oeste do Estado da Flórida. 

Flórida, principal parceiro comercial do Brasil nos EUA 

Aliás, sempre vale a pena lembrar que o comércio entre Brasil e os Estados Unidos em 2022 movimentou 88,7 bilhões de dólares, um dado histórico, segundo levantamento do Monitor de Comércio Brasil-EUA da Amcham. O valor supera em  18,2 bilhões de dólares (25,8%) o recorde anterior estabelecido em 2021. Este estado é o principal parceiro comercial do Brasil na América do Norte. 

Segundo Abrão Neto, CEO da Amcham Brasil, entidade sediada em São Paulo e que reúne cerca de 4.000 empresas, “os resultados sem precedentes em todos os principais indicadores do comércio bilateral revelam o momento de forte dinamismo das relações econômicas entre os dois países, bem como o aumento da relevância dos Estados Unidos para o comércio exterior brasileiro”, referindo-se aos dados coletados no início deste ano. 

O levantamento mostra que o comércio bilateral teve desempenho acima da média do comércio exterior brasileiro. O crescimento das exportações do Brasil para o mundo foi de 19,3% enquanto para os Estados Unidos foi de 20,2%. Já o aumento das importações totais brasileiras foi de 24,3% enquanto o das compras vindas dos Estados Unidos foi de 30,3%. Com isso, a participação norte-americana na corrente do Brasil subiu para 14,6%, atingindo o nível mais elevado desde o início da pandemia.  

Portanto, expandir as fronteiras da Flórida para a costa oeste é aumentar ainda mais o horizonte de importações brasileiras. Para falar mais sobre isto, entrevistamos Barbieri, que conta como foi a negociação para obter a concessão de exploração do SeaPort Manatee e as vantagens de estar presente na área do golfo do México. 

Como surgiu o projeto do hub de negócios internacional 

Ele conhece Carlos Buquera, presidente do SeaPort Manatee, que era diretor de desenvolvimento comercial no porto de Fort Lauderdale. “Ele é uma pessoa fantástica, empreendedor. Ele pegou um porto deficitário, quase a ponto de fechar, e transformou o porto em um dos cem mais importantes do país. Conheci Carlos em uma missão comercial do governo do estado da Flórida para o Brasil há mais de 15 anos. Ele acompanhou nosso trabalho no Miami Free Zone e estabeleceu isto como parâmetro de algo que desejava implantar no SeaPort Manatee. Um hub para sediar empresas dentro de uma visão internacional”, revelou Barbieri. 

Na verdade, o SeaPort Manatee recebeu um subsídio federal de quase $12 milhões para promover uma expansão de 16,56 acres das instalações do pátio de contêineres no próspero portão comercial da Costa do Golfo da Flórida, conforme anunciado em 15 de setembro deste ano pelo Departamento de Transportes dos EUA. 

Diante do pedido dele, a Oxford International desenvolveu um projeto e apresentou uma proposta para fazer algo nos moldes do Miami Free Zone, um hub internacional a partir do Brasil. “Nossa responsabilidade é desenvolver a área internacional. Com isso, o porto nos ofereceu uma boa estrutura operacional e disponibilizou suas instalações. Isto é positivo porque não haverá nenhum custo para as empresas brasileiras que queiram se instalar nos EUA e evita despesas desnecessárias”, salientou o consultor. Ou seja, os custos fixos para as empresas que se estabelecem lá são zerados. Dessa forma, podem contar com depósitos, escritórios, show rooms, etc. Os custos de contratação de mão de obra, por sua vez, podem ser compartilhados com outras empresas. 

As empresas brasileiras podem se beneficiar da infra-estrutura disponibilizada por esse hub de negócios instalado no SeaPortManatee. Para isso, basta as empresas entrarem em contato com a Oxford  International. Barbieri destaca que não há nenhum tipo de restrição para as empresas que desejam se  instalar lá, no entanto, ele não considera adequado para uma start up, “Nosso objetivo é receber empresas que já produzem e tenham foco na internacionalização, a fim de aumentar as importações de seus produtos e serviços”. 

A grande vantagem em se instalar no SeaPort Manatee é contar com uma estrutura coordenada. “Não há obrigação de contratar os serviços da Oxford, mas inegavelmente é mais vantagem porque oferecemos todos os serviços relacionados. Essa é a parte mais importante, a união de empresas de maneira sinérgica. Um exemplo é o de empresas ligadas ao setor de construção. Temos à disposição toda a parte contábil, financeira, empresas de dados, empresas que fazem serviços de fibra óptica. Esta sinergia é positiva e, com relação à parte de meio-ambiente temos uma estrutura bem completa. Não há obrigação das empresas contratarem nossos serviços, mas oferecemos algo mais completo. E o preço final depende da negociação”, garante o brasileiro que está à frente desse hub de negócios internacionais . 

Estrutura do SeaPort Manatee 

O SeaPort Manatee já é bastante representativo para a economia da Flórida, mas está recebendo um investimento federal de $11.953.492, que será usado para o projeto e a construção de 16,56 acres de espaço adicional para movimentação de carga e uma nova estrada de acesso ao pátio de contêineres, bem como para a instalação de sistemas elétricos para dois novos guindastes portuários móveis que chegaram ao porto em abril. O dinheiro do está sendo aumentado por fundos estaduais e locais, incluindo somas iguais de $2.147.650 de um subsídio do Departamento de Transportes da Flórida e da receita do SeaPort Manatee. Ou seja, há espaço para crescer e capacidade de investimento para isso. 

O empreendimento crítico do SeaPort Manatee é um dos 26 projetos para os quais um total de US$ 1,5 bilhão em fundos de subsídios competitivos do Infrastructure for Rebuilding America (INFRA) foi anunciado pelo secretário de transportes dos EUA, Pete Buttigieg, que caracterizou os subsídios como “investimentos transformadores”. 

Agora, o SeaPort Manatee pode prosseguir com a solicitação de licitações para o projeto de expansão, com o objetivo de iniciar a construção em 2023 e concluir o trabalho em 2025. 

Quem já está presente no SeaPort Manatee 

Barbieri esclarece também que o SeaPort Manatee não concorre com a Apex: “Temos visão empresarial. Não somos um órgão público, com capacidade física, bem instalada em Miami, com a cobrança simbólica de um valor para se instalar, mas acreditamos ser uma excelente opção para quem quiser vir para os EUA”. 

Atualmente, Rio de Janeiro e Pernambuco, dois estados com interesses comerciais na Flórida, já estão presentes no SeaPort Manatee, assim como instituições de tecnologia, agências de tecnologia e associações comerciais estão gradualmente procurando a Oxford International para se instalar lá. 

Por sinal, a assinatura de parceria do hub de negócios internacionais operado pela Oxford e por representantes da Secretaria de Desenvolvimento do Rio de Janeiro foi sacramentada no início de dezembro. 

Outro ponto positivo que pode ser benéfico às empresas brasileiras é a solidez da Associação Comercial local, uma das mais antigas dos EUA, conforme explica Barbieri: “A Câmara de Manatee é uma das mais antigas do país, é do século 19. Tem 2.100 membros e é diferente daquelas da Costa Leste, sobretudo em tamanho. Quem particpa dessa câmara são proprietários das empresas. Foi considerada recentemente a melhor câmara de negócios dos EUA, realiza eventos quase diariamente, e pode ser útil para as empresas que estão chegando para conhecer o ambiente econômico da região. Aliás, a Oxford tem bons relaiconamentos com as demais câmaras de comércio da Flórida central. E a Select Florida, órgão de fomento de comércio do estado, se interessou pelo projeto e pode se juntar a nós para ajudar a implantar uma parceria de desenvolvimento comercial”, finalizou o consultor. 

Aliás, a Select Florida está se unindo à Oxford International, por sua experiência de 50 anos no mercado, dos quais 39 atuando nos Estados Unidos, onde opera 19 empresas (algumas sem fins lucrativos). 

Portanto, empresas brasileiras com intenção de expandir seus negócios internacionais devem procurar a Oxford para se informar sobre como fazer para colocar um pé no maior mercado consumidor do planeta. 

Mais informações: oxfordusa.com

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