A palavra “câmbio” vem do verbo cambiar. Ou seja, mudar, transferir. Portanto, nada mais justo do que estar presente em diversos lugares do mundo. Em pouco mais de um quarto de século, a B&T Corretora de Câmbio, fundada em 1993 no Rio de Janeiro, se transformou na maior corretora de câmbio do Brasil, com 20 lojas próprias e 170 correspondentes cambiais. Há dois anos, expandiu sua atuação para o Exterior ao abrir a B&T Global Consulting em Miami – principal centro da comunidade brasileira nos Estados Unidos.

Para comandar essa importante unidade foi destacada a diretora de Governança da empresa, Vivian Portella, também uma das sócias da companhia. No contexto de diversificação de atividades, a B&T Corretora de Câmbio decidiu ampliar os serviços oferecidos e, como diz o próprio nome, oferecer aos atuais e futuros clientes soluções globalizadas em tudo que se refere à transferência de dinheiro entre Brasil e Estados Unidos, atuando também como consultora na democratização dos meios de pagamento e dando suporte às outras operações dos clientes que envolvem moeda estrangeira. Assim surgiu a B&T Global Consulting.

Quando se fala em diversificação, isso significa estar antenado com o momento atual dos mercados. Para isso, a B&T Corretora de Câmbio criou a BitBlue, especializada na negociação de criptomoedas – um setor ainda incipiente, porém muito promissor.

A fim de entender tudo que a holding de câmbio tem a oferecer aos seus clientes, falamos com Vivian Portella, uma carioca que se mudou com a família para Flórida. Por causa da similaridade do clima, da metodologia de ensino escolar e do nível de segurança, Vivian admite que, embora adore o Rio de Janeiro, sua família está muito bem adaptada a Miami. Apesar da mudança de cidade, uma coisa não mudou em sua vida: ela continua como executiva dedicada ao crescimento de sua empresa, conforme podemos constatar na entrevista.

BizBrazil Magazine – Vamos começar pelo início. Quem foram os fundadores da B&T Corretora de Câmbio e qual a experiência deles neste segmento? 

Vivian Portella – A B&T foi fundada em 1993 por Túlio Ferreira dos Santos e Benjamin Alves Ruas, ambos profissionais do mercado financeiro que se especializaram em câmbio e tinham o sonho de ter seu próprio negócio. Em 2012, Benjamin deixou de fazer parte da sociedade e eu entrei. Mais à frente, em 2015, entrou Edísio Pereira, quando fizemos a fusão com a Europa Câmbio.

BBM: Quais eram as exigências do Banco Central brasileiro para se constituir uma corretora de câmbio independente na época?

VP – A regulamentação era um pouco diferente, mas basicamente era necessário ter a mesma licença exigida atualmente pelo Bacen para operar no mercado de câmbio, que envolve um plano de negócios estruturado, capital mínimo e atendimento do regulamento de câmbio. Na década de 90, a corretora operava apenas na intermediação de contratos. Posteriormente, o Bacen alterou a legislação, permitindo que as corretoras operassem no câmbio comercial, limitado a 100 mil dólares americanos ou equivalente em outras moedas, por contrato.

BBM – Você poderia dizer quais as vantagens de se operar com corretoras de câmbio independentes no lugar de bancos que também possuem carteiras de câmbio? Muitas empresas de grande porte utilizam os serviços da B&T. Por que preferem operar com uma corretora independente?

VP – A vantagem da corretora é a sua especialização na prestação do serviço. Os bancos prestam diversos serviços, dentre eles o câmbio. Já a corretora presta serviços exclusivamente de câmbio, possuindo os profissionais mais qualificados e especializados na matéria. O atendimento pessoal também é um diferencial muito procurado. Num cenário onde os gerentes de banco muitas vezes são substituídos por centrais de atendimento padronizadas, com discursos prontos e mal qualificados, a B&T sobressai oferecendo um atendimento direto, pessoal e customizado de acordo com a necessidade do cliente. Além disso, devido ao grande volume de operações, competimos igualmente em termos de condições comerciais e taxas de câmbio.

BBM – Na cronologia da empresa, fundada em 1993, constata-se que em 2006 a B&T recebeu autorização do Bacen para fazer suas próprias operações. O que isto significou  em termos de autonomia e agilização para os clientes? 

VP – Assim que iniciamos esse tipo de operação, desenvolvemos uma plataforma interna onde as operações eram transacionadas de forma muito rápida, e aprimoramos os setores de cadastro e análise de documentos, o que nos permitiu sermos rápidos e eficientes durante a operação do cliente. Esse processo ainda hoje é constantemente aperfeiçoado. As operações próprias tomaram uma proporção inimaginável na B&T. Em determinado momento, enquanto observávamos nossos números de operações de intermediação caírem, víamos o número de operações próprias decolando.

BBM – O Grupo B&T é o maior do país, com US$ 1.1 bilhão de operações cambiais, e volume de operações de câmbio intermediadas registrado na ordem de US$ 8.6 bilhões, segundo o ranking do Bacen, ficando atrás apenas da multinacional Western Union. Qual a diferença em relação aos concorrentes? As operações realizadas se concentram mais nas empresas do que nas pessoas físicas, ao contrário da Western Union?   

VP – Como atuamos em mais de um segmento na área de câmbio, dentre eles o varejo e o comercial, conseguimos um volume bastante relevante de operações e negócios. Alguns dos principais concorrentes são corretoras de propriedade de bancos, que podem oferecer a elas uma condição comercial mais vantajosa e uma sinergia de custos, aumentando o resultado dessas instituições. A Western Union no Brasil, por exemplo, possui um banco de câmbio que dá suporte às suas operações. Entretanto, eles operam exclusivamente no varejo, enquanto a B&T possui uma atuação diversificada, com pouco mais de 60% de operações comerciais com empresas.

BBM – Vocês dispõem de um serviço próprio para orientar brasileiros em operações nos Estados Unidos no que se refere à compra de imóveis, transferência de dinheiro, investimento no exterior etc.? Em caso positivo, como funciona?

VP – A B&T Consultoria é o braço do grupo para qualquer solicitação dos nossos clientes que não envolva necessariamente uma operação de câmbio ou que envolva uma análise mais detalhada de um determinado caso, como por exemplo a estruturação de uma operação. Orientamos os clientes sobre a melhor forma de realizar suas operações, damos suporte na análise de documentos e enquadramento da operação e do recolhimento do tributo, caso seja devido. Isso inclui também as outras operações citadas.

BBM – De que maneira a abertura da unidade de Miami, que está sob seu comando, pode dar apoio aos clientes que estão nos Estados Unidos?

VP – Nossa vinda para cá foi justamente com o intuito de apoiar nosso cliente que está aqui e tem negócios no Brasil, bem como toda a comunidade brasileira nos Estados Unidos, que colabora para esta transferência de recursos internacionais. Dá para sentir a falta de informação e de apoio por parte dos bancos em relação aos seus clientes. Nossa tarefa aqui é entender o cenário no qual o cliente se encontra, sugerir a melhor forma para sua transferência de recursos e dar suporte à realização da operação.

BM – Além de atuar como base de apoio às operações de câmbio realizadas no Brasil, que outras atribuições a unidade de Miami desenvolve?

VP – Estamos firmando parcerias muito importantes aqui. Uma das nossas missões é apoiar o processo de democratização dos meios de pagamento, descentralizando parte das operações concentradas em grandes instituições financeiras, e essas parcerias fazem toda diferença nesse processo. Em breve, vamos anunciar algumas novidades.

BBM – Você poderia explicar mais sobre as vantagens do B&T Travel Card Multimoedas? Ele apenas pode ser usado com dólares e euros ou também com outras moedas?

VP – O B&T Travel Card comporta hoje até sete moedas, incluindo o real. A principal vantagem do cartão para o cliente que está no Brasil é pactuar a taxa de câmbio no ato da contratação em vez de ficar sujeito à taxa utilizada pela instituição onde possui cartão de crédito. Além disso, possuímos um aplicativo onde o cliente pode visualizar sua movimentação, permitindo controle dos gastos, troca de senha, bloqueio e desbloqueio do cartão.

BBM – Gostaria que você falasse sobre a BitBlue. Ela já está em atividade ou apenas foi aberta para operações futuras?

VP – A Bitblue já está operando no mercado de criptomoedas desde o início de 2018. A empresa, que é classificada no mercado como uma exchange, opera uma plataforma de intermediação de compra e venda de criptos como a Bitcoin, por exemplo. Nela, os clientes cadastrados previamente colocam suas ofertas de compra ou venda da criptomoeda desejada e o que fazemos é casar as operações entre os clientes de forma segura para ambos os lados.