Rafaela Vitoria*

O  corte, em  linha  com nossa  expectativa, mas um pouco maior que o consenso de mercado de 0,50p.p., foi  baseado na  avaliação de que o cenário é de forte retração da economia e a inflação está bem abaixo da meta, mesmo com a desvalorização da taxa de câmbio. Devido à queda da demanda, a crise do coronavírus tem um  impacto  bastante  deflacionário, tanto  no cenário  externo  como  na  economia  doméstica e, no  seu comunicado, o  Copom considera que “a conjuntura prescreve estímulo   monetário extraordinariamente elevado” nesse momento.

IPCA em queda

O IPCA continua em tendência de queda resultando em consecutivas revisões de expectativas para a inflação no ano. A queda da demanda, em função das medidas de isolamento social para conter a pandemia, tem tido um efeito significativo na desaceleração da inflação. E esta alta do dólar não tem refletido em reajustes de preços internos, considerando ainda que as commodities se mantêm em baixos patamares no mercado internacional. A expectativa de inflação medida pela pesquisa Focus continua indicando revisões negativas e, hoje, aponta para IPCA abaixo de 2,0% em 2020 e 3,3%  em  2021. 

Mesmo uma  gradual retomada da  economia  não  deve  ter  impacto inflacionário significativo, uma    vez que o caráter da crise de forte queda na renda nesse primeiro  momento pode levar a uma elevação da   poupança e prolongar a recuperação da demanda nos próximos meses.

Copom destaca cenário de incertezas e riscos, e acena com a possibilidade de novo corte em junho

O Copom considera que poderá efetuar mais um corte na próxima reunião, mas os próximos passos dependem da evolução do cenário. A novidade na atual leitura da autoridade monetária é uma previsão de que os juros podem ser reduzidos novamente em junho e podemos ter Selic de até 2,25% no final do ciclo.

No entanto, os riscos associados ao desequilíbrio fiscal resultantes da crise podem elevar o juro neutro no Brasil, o que pode limitar o grau de ajuste adicional. É importante o governo sinalizar que a   trajetória fiscal ao longo do próximo ano será revertida e que os aumentos de gastos durante a crise sejam  de caráter temporário, o que permitirá manter em baixa as expectativas de inflação, sem impacto de alta adicional nos juros de longo prazo.

*Pesquisa de Estratégia e Pesquisa Econômica, elaborada por Rafaela Vitoria, CFA, CNPI Economista-Chefe do Banco Inter S.A.

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