ANTONIO TOZZI

antoniotozzi@bizbrazilmagazine.com

Nas últimas décadas, modelos de negócios consolidados há décadas vêm sendo modificados pela chegada de empresas com estrutura enxuta e muita tecnologia – geralmente desenvolvida por elas mesmas. Essa nova maneira de fazer negócios vem sendo implantada em todos segmentos. Um deles é a introdução de empresas e/ou empresários brasileiros que pretendem atuar no mercado americano como exportadores ou mesmo instalando-se nos Estados Unidos e, a partir daqui, operar internacionalmente.

Ao mesmo tempo, a crise brasileira, gerada por falta de perspectivas para investimentos e crescente violência, empurrou muitas pessoas para o Exterior em busca de novas oportunidades. Pior do que a “fuga de capitais”, isto está caracterizando-se como a “fuga de cérebros” com consequências incalculáveis para o futuro.

Esse fluxo abriu espaço para pessoas que resolveram tirar proveito da ansiedade dos novos imigrantes e, sobretudo, da sua falta de conhecimento da cultura local. Assim, surgiram os chamados “consultores” – pessoas que moram nos Estados Unidos há algum tempo e propagam ser a porta de acesso ao “sonho americano”. Na maioria das vezes, no entanto, o sonho virou pesadelo e muitos retornaram ao Brasil em condições ainda piores, por terem gasto dinheiro da forma errada e sem nenhum planejamento.

Ora, a preocupação dos tais “consultores” se resumia a indicar corretores de imóveis para vender aos seus novos “clientes”, assim como vendedores de automóveis e outros bens. Mesmo se os recém-chegados não possuíssem meios para se legalizar no país, eram encaminhados para advogados de imigração inescrupulosos, que davam entrada em processos difíceis de ser aprovados.

Diante dessa rede, os incautos se viam em uma encruzilhada. Ou retornavam ao Brasil mais descapitalizados do que estavam ou tentavam superar os problemas às custas de mais investimentos e à procura de profissionais sérios que lhes pudessem dar o aconselhamento devido.

GBI surgiu para suprir essa demanda

Por terem passado por situações similares ou conhecerem empresários que se deram mal ao recorrer aos aconselhamentos dos tais “consultores”, esse grupo de empresários – todos bem sucedidos em suas áreas de atuação – decidiu se unir e constituir o Global Business Institute, justamente com o objetivo de auxiliar os empresários em suas tomadas de decisão e consequentemente reduzir o risco de perda de dinheiro e o stress na fase de adaptação ao novo país.

Manoel Suhet, CEO do Global Business Institute

O grupo é bastante eclético e possui especialistas bem sucedidos nos mais diversos segmentos.  O escolhido para CEO do GBI foi Manoel Suhet, empresário que percorreu o caminho da internacionalização na condição de executivo de companhias de petróleo e gás, e foi o vice-presidente de Vendas da Latam Airlines nos EUA, Canadá e Caribe nos últimos sete anos. Após a carreira de sucesso trabalhando para outras empresas globais como Shell e Trafigura, Suhet decidiu ter chegado o momento de ser empreendedor “serial”. E assim foi feito, aproveitando a experiência no segmento de aviação comercial, criou a bTd – Business Traveler Deals, empresa de tecnologia para viagens corporativas. Além da bTd, Suhet introduziu o conceito de “CEO de Aluguel”, em maio de 2017, com sua empresa de consultoria executiva MSuhet Enterprises Inc, uma das empresas fundadoras do GBI. Com todos esses predicados, não é de se estranhar Suhet ter sido escolhido por seus pares para ser o CEO e porta-voz deste grupo.

Toda essa apresentação serve para mostrar quem integra o Global Business Institute. Porém, agora vamos demonstrar por que, para que e para quem foi criado este grupo. Com a palavra, Manoel Suhet.

“A ideia da criação do GBI surgiu a partir da observação do ambiente de negócios aqui. Cada uma das empresas que integra nosso grupo, de alguma maneira, passou pelo processo de internacionalização. E muitas sentiram não ter à disposição na época que chegaram à Flórida instrumentos que pudessem auxiliá-las a superar os percalços inerentes a esta internacionalização”, diz o CEO do GBI.

O movimento se intensificou a partir de 2015, com a necessidade de empresários brasileiros procurarem outras paragens por uma série de motivos, dentre eles escapar da crise que havia tomado conta da economia brasileira e ainda uma busca de diversificação de investimentos. “No ano seguinte, os pedidos de saída definitivas do Brasil cresceram 40%”, frisou Suhet.

Como o GBI pode ajudar os recém-chegados

O grupo reúne todas condições de prover os instrumentos necessários para a instalação de empresas nos Estados Unidos – independente de seu tamanho e capacidade de investimento. “Juntos, temos força para liderar projetos mais complexos porque a sinergia nos permite trabalhar em conjunto em busca do bem comum”, exalta Antonio Miranda, outro executivo do grupo e diretor de Marketing & Sales do GBI.

Portanto, o GBI serve como introdutor da empresa recém-chegada no mercado americano, aparando arestas que dificultam suas atuações em um novo cenário. “Empresários com interesse em investir no maior mercado do planeta devem ter consciência de que as regras do jogo são diferentes daquelas existentes no Brasil, onde foram bem-sucedidos. E nós, do GBI, temos condições de conduzir um processo de A a Z ou dentro de nossa metodologia, um End-to-End Process”, esclarece Suhet.

Quando ele se refere a um processo de ponta a ponta, é isto mesmo que acontece. Antes de lançar seu produto ou serviço, é necessário fazer uma pesquisa de mercado apurada, a fim de conhecer os hábitos dos consumidores locais, os concorrentes que já atuam no segmento e perspectivas de lucratividade. Em muitos casos, o processo de internacionalização termina aí. “Nossa filosofia é servir como consultores executivos de verdade, isto é, se detectarmos a inviabilidade do projeto, recomendamos que o empresário adie sua entrada aqui para evitar perder dinheiro e queimar sua marca”, assegura Suhet. Este, aliás, é um grande diferencial: “Nosso compromisso e interesse é pela perenidade dos negócios de brasileiros empreendedores nos EUA, porque assim todos ganhamos”.

E o Brasil já se firmou como um dos países com forte investimento nos Estados Unidos. E, claro, isto não passa despercebido pelas autoridades e associações empresariais americanas. Só para se ter uma ideia de grandeza, o IED (Investimento Estrangeiro Direto) nos EUA cresceu 356% entre 2008, quando somava $9.3 bilhões, e 2017, quando atingiu $42.8 bilhões. Isto refletiu-se também na geração de empregos dentro dos Estados Unidos.

Ou seja, investir nos Estados Unidos é algo que pode dar um bom retorno, mas é preciso cercar-se de cautelas a fim de reduzir os riscos. “Após uma pesquisa de mercado e uma estratégia de marca e marketing, realizamos um Business Plan bastante realista, com as condições de risco e de investimento para atuar nos Estados Unidos de forma sustentável. A partir daí, passamos para a parte de execução, que envolve desde a busca de investidores, suporte total na estruturação da empresa, busca de fornecedores globais e até alocação de profissionais tercerizados, a fim de gerir a empresa para os investidores. Este modelo de negócios é o nosso forte, e ninguém no mercado consegue ainda entregar algo similar de forma tão estruturada, com experiência e diversidade de expertise do nosso team”, destaca Suhet.

“Atuamos como administradores, se for preciso”

Este, por sinal, é um grande diferencial. “Temos condições de atuar como administradores da empresa localmente. Isto permite às companhias economizar com custos de expatriação de executivos antes dela estar consolidada no mercado. Por sermos empresários, ex-executivos globais com formação nas melhores escolas de negócios no mundo, e conhecer os meandros da internacionalização, atuamos na linha de frente em consonância com a diretoria no Exterior, a fim de poupar custos desnecessários”, enfatiza o CEO do GBI, que também afirma ter o Global Business Institute um caráter internacional, e portanto não se limita à entrada de empresas brasileiras no mercado americano. Companhias de outros países, sobretudo as latino-americanas, são potenciais clientes. “Somos um hub de negócios e já atuamos na internacionalização de empresas americanas e europeias no Brasil. “Em breve estaremos cobrindo a América Latina e Europa – nosso capital intelectual e a experiência de ‘colocar o umbigo no balcão e arregaçar as mangas para fazer acontecer’ nos permite ter esta visão compartilhada do GBI.”

E o suporte é amplo, pois contempla captação de fornecedores, pesquisa de mercado, logística, estratégia, parcerias estratégicas, sourcing, montagem de call centers, enfim, todas as necessidades que uma companhia possa ter para instalar seu produto nos Estados Unidos.

O trabalho é realizado em três etapas: Design (o conceito do negócio), Development (o que deve ser feito para se implantar o negócio) e Implementação (a instalação do negócio efetivamente). “Estudamos cada caso e o valor na cadeia de valor para garantir perenidade do projeto, porque sabemos como conectar os dots. É dessa forma, atuando como um hub, que o Global Business Institute quer ser reconhecido”, assegura Suhet.

Ou seja, nada a ver com a imagem do “consultor do jeitinho” citado no início da matéria cuja única preocupação era garantir o seu e em seguida deixar o (ex) cliente à própria sorte. O negócio deles sempre foi montar uma rede para vender imóvel, indicar advogado de imigração, lojas de automóveis e, claro, ganhar comissão pelas indicações, porque afinal “ninguém é de ferro”.

Preço cobrado pelo GBI é caro?

Indagado sobre quanto custa contratar os serviços do Global Business Institute, Suhet admite ser difícil precificar o trabalho, até porque as necessidades variam de empresa para empresas: “Alguns clientes podem ser empresas que já estão no mercado local e precisam de um turn around. Elas chegaram, se instalaram, mas sentem estar patinando. Precisam, então, de uma injeção de ideias e metodologia e até de investidores para aumentar seu lucro. Outras desejam expandir sua área de atuação. Um diferencial nosso é que trabalhamos com curto prazo: 30, 60 ou 90 dias para entregarmos o diagnóstico. Na caso de implantação, o prazo pode durar até um ano”.  Vale a pena frisar que os projetos são sinérgicos, mas independentes. Ou seja, o cliente pode contratar apenas um serviço do pacote e a remuneração será daquela consultoria selecionada. “Temos parceiros de negócios – Subject Matter Experts SME, criteriosamente selecionados – por performance, conteúdo e étnica nos negócios, que se juntam aos projetos por demanda, assim oferecemos uma estrutura completa e flexível para suprir necessidades dos clientes de qualquer segmento de negócios e ciclo de vida internacional”, reforça.

Demonstrando total versatilidade, o Global Business Institute reúne condições de fazer o caminho inverso, que é exatamente abrir oportunidades para empresas americanas que tenham interesse em investir no mercado brasileiro. Por terem conhecimento total dos dois mercados, nada mais lógico do que a contratação dos serviços desses especialistas. Dentro desse quadro se destacam as missões comerciais, que tanto podem ser de empresários brasileiros às autoridades estaduais americanas como o inverso, sobretudo neste momento em que aumentou o interesse de se investir no Brasil em virtude da precariedade da infraestrutura de portos, aeroportos, ferrovias e rodovias. Além de gerar receitas para os estados, isto gera empregos nas comunidades.

A participação em feiras e eventos específicos também integra o pacote de serviços disponibilizado pelos integrantes do Global Business Institute. Isto é muito importante, porque vários contratos são fechados nestes ambientes e contar com uma assessoria especializada compensa qualquer investimento.

Apesar de ter pouco tempo de existência, GBI já está analisando entre 25 e 30 projetos de empresários que buscam exatamente o que eles têm a oferecer: transparência, valores, experiência e expertise.