*Por Fabio Ahscar

Não é novidade para ninguém que inovar é fundamental para a sobrevivência de qualquer empresa, independentemente de seu tamanho. Histórias como a da Kodak e da Blockbuster se tornaram verdadeiros exemplos quando o tema é inovação, infelizmente pelo lado negativo, trazendo valiosas lições de como uma empresa não deve se comportar diante do mercado e a concorrência. Mas se inovar é tão importante, por que ainda existem empresas que sofrem tanto para seguirem este caminho?

A resposta é padrão quando o assunto é inovação: depende. Não é possível determinar o que é certo ou errado, afinal uma nova jornada será iniciada. Inevitavelmente, riscos serão frequentes nesta busca por novas descobertas. Incerteza, aprendizado, replanejamento e, entre outras coisas, fracassos estarão continuamente presentes. Sim, muitos fracassos. Portanto, é imprescindível o fato de se aprender o máximo possível, no menor tempo possível e com um mínimo de investimento possível, para se chegar ao sucesso no caminho inovador. Mas, como fazer isso?

O que atrapalha muitas empresas é a ansiedade, pois muitas vezes os resultados precisam ser melhorados quase que imediatamente. Entretanto, assim como numa maratona o corredor não pode completar os 42 quilômetros antes de cumprir o primeiro, o segundo e assim por diante, um processo de inovação de uma empresa também não conseguirá bons resultados sem a preparação das bases de maneira sólida para inovar. E o que isso quer dizer? Em poucas palavras, a estrutura será abalada. Uma nova dinâmica deverá ser desenvolvida de acordo, principalmente com o mercado de atuação da empresa em questão. E a dúvida inicial que deve ser sanada é quanto a seguir no rumo atual, fazer pequenas alterações ou mudar completamente o destino, mas lembrando que nada ocorre da noite para o dia.

Nas grandes corporações, profissionais exclusivamente focados em inovação deverão entrar em cena com persistência, paciência e, sobretudo, apoio das demais lideranças, porque erros passarão a fazer parte da rotina. Obviamente, estes erros devem se limitar a riscos previamente analisados e aprovados. Por isso. muitas empresas de maior porte separam sua célula de inovação da estrutura de produção, onde o erro é sempre o grande inimigo. Com a liderança alinhada, os colaboradores se sentirão mais seguros e confiantes para sugerirem novas alternativas e buscarem possibilidades que muitas vezes a liderança não é capaz de enxergar. Como disse Akio Morita, inventor e co-fundador da Sony: “Aprendemos muito escutando os nossos colaboradores, porque sabedoria não é exclusividade do corpo diretivo”. Isso reforça outro ponto de extrema relevância e pouco explorado: a inovação nasce de pessoas.

Com a chamada quarta revolução industrial, ou era da transformação digital, um equívoco se torna recorrente, o fato de se presumir que a tecnologia solucionará todos os problemas. Não há nenhuma dúvida de que as tecnologias estão levando as empresas a outros patamares e aumentando exponencialmente a velocidade dos negócios, mas o ponto é que a inovação ainda é um passo anterior. Consequentemente, sem um responsável, uma estratégia bem desenvolvida, um planejamento adequado, regras definidas, etapas claras e métricas que consigam captar todo o aprendizado (e tudo isso sendo frequentemente revisitado e reavaliado), a tecnologia de uma forma geral será somente uma ferramenta. E pior, provavelmente uma ferramenta com um baixo retorno para o valor investido.

*Fabio Ahscar é criador do Executive Courses LLC em Miami e autor do livro Aprendendo a Lição (2007) e de um guia de viagens que já está em sua segunda edição, Las Vegas – Guia Prático de Viagem (2010 e 2015)