As exportações do Brasil para a Liga Árabe fecharam 2019 com receita de $12.197 bilhões, alta de 6.30% sobre o ano anterior, resultado que posiciona o bloco como a terceira parceria comercial do Brasil atrás da China ($65.389 bilhões) e dos Estados Unidos ($29.556 bilhões), segundo informa a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, que acompanha o comércio com a região.

A entidade destaca que os mercados árabes sustentaram a demanda e mantiveram a fidelidade aos parceiros brasileiros, num ano em que compradores importantes, como China e Argentina, reduziram embarques devido à febre suína, que exterminou 40% do rebanho chinês e impactou a demanda por soja, e à crise econômica na nação latino-americana.

Os 22 países da Liga Árabe ainda responderam por 11.31% do saldo positivo da balança, ou $5.204 bilhões, recursos que já estão à disposição do setor exportador para investimentos e ampliação do parque produtivo, uma das razões pelas quais o bloco deve continuar a ser visto como aliado estratégico na visão da entidade.

“Enquanto o mundo todo comprou 7.5% menos do Brasil, cerca de $224 bilhões, e o superávit recuou 19.46%, para $46.674 bilhões, os países árabes, mais uma vez, ampliaram pedidos, reforçando a importância da parceria comercial para a nossa economia”, sintetiza o presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun.

A pauta de exportações foi liderada por frango, açúcar, minério de ferro, carne bovina e grãos, com muito do avanço da receita creditado ao agronegócio. As vendas de frango subiram 6.41%, para $2.378 bilhões, com Arábia Saudita ($790.63 milhões, -1.94%), Emirados Árabes ($561.19 milhões, +12.26%) e Iraque ($180.56 milhões, +16.21%) liderando os embarques.

O açúcar rendeu $2.176 bilhões, recuo de 23.67%, pelo quarto ano consecutivo em tendência de queda devido à contínua inserção de açúcar indiano barato no mercado internacional, mas ainda extremamente relevante. O minério de ferro rendeu $1.808 bilhão, alta de 7.23%, seguindo tendência de recuperação dessa commodity.

Já a carne bovina gerou $1.168 bilhão, alta de 2.65%, com Egito ($476.69 milhões, -8.97%), Emirados Árabes ($259.58 milhões, +72.41%) e Arábia Saudita ($142.20 milhões, -8.93%) na dianteira dos pedidos.

Os grãos, principalmente milho, renderam $1.105 bilhão, 46.41% mais que em 2018, sinal de que os esforços dos árabes em incentivar a produção local de proteínas têm dado resultados, sobretudo na Arábia Saudita, onde a BRF anunciou este ano que vai investir $120 milhões em uma planta frigorífica para ampliar sua participação no mercado local.

“A Arábia Saudita determinou que até 2030, só 40% da demanda de frango, por exemplo, será atendida via exportação. Hoje esse percentual é perto de 60%. Nesse cenário, as empresas brasileiras líderes em suplementos alimentares, vacinas e genética para produção agropecuária têm uma grande oportunidade de internacionalização. Em abril, realizaremos um fórum econômico para discutir ainda mais detalhadamente essas oportunidades”, diz Hannun.

Do lado inverso do comércio, os árabes venderam ao Brasil $6.993 bilhões em combustíveis, fertilizantes e obras de plástico, resultado 8.29% menor em relação ao ano passado. A corrente de comércio, a soma das exportações e importações, foi de $19.190 bilhões, alta de 0.04% sobre o ano anterior.