*Por Agostinho Celso Pascalicchio

Moeda não corresponde apenas ao “dinheiro” da economia. Os conceitos envolvidos não são simples para aqueles não iniciados no mercado financeiro. O Brasil utiliza quatro conceitos relacionado ao conceito de Moeda ou de “Meios de Pagamento”. O conceito que possui maior identidade com o conceito de “dinheiro” é denominado de “M1”. Este conceito, conforme o Banco Central do Brasil, corresponde ao conceito restrito (“narrow”) de “Meios de Pagamento”. É composto pela soma do papel-moeda em poder do público mais depósitos à vista. São os recursos disponíveis prontamente para pagamento de bens e serviços da sociedade. Esta soma do papel moeda em poder do público e dos depósitos à vista corresponde a uma porcentagem situada em torno de 6% do total de Moeda no Brasil (um valor próximo a R$ 420 bilhões). O total de meios de pagamentos, utilizando os quatro conceitos, em março deste ano foi R$ 7.27 trilhões.

Vamos analisar a composição e participação dos demais conceitos. O segundo, denominado de “M2”, corresponde à soma do saldo de “M1” com os depósitos de poupança e outros títulos emitidos por instituições financeiras depositárias, ou seja, de todas as instituições financeiras que existem no Brasil. Este conceito representa 40% do total (destes, 6% é o “M1”) dos “Meios de Pagamento” da economia.

O terceiro conceito, denominado de “M3”, compreende a soma de “M2” com cotas de fundos e dos recursos provenientes de operações compromissadas, ou seja, operações de compra (ou venda) de títulos com compromisso de revenda (ou recompra) destes mesmos títulos em uma data futura, ou seja, dos títulos da dívida do governo. Este conceito representa um valor em torno de 93% do total (destes aproximadamente 40% corresponde ao “M2”) dos meios de pagamento da sociedade brasileira.

Finalmente, o quarto conceito denominado de “M4” e abrangendo 100% de todo os meios de pagamento da sociedade brasileira, corresponde à adição ao conceito de M3, dos títulos públicos federais. O M4 engloba o M3 e os títulos públicos emitidos e disponíveis.

O conceito de “M1” registra alterações comportamentais da sociedade, como saques da caderneta de poupança com transferência para a conta corrente das pessoas, entesouramento de papel moeda em consequência da menor circulação da moeda causada pela redução no hábito de compras no comércio, etc. O valor de R$ 9 bilhões, correspondente à emissão de moeda pelo Banco Central, não pode ser classificado como elevado, considerando o saldo de R$ 420 bilhões de março deste ano. Este valor corresponde a uma variação de 2% sobre este saldo. Em fevereiro, o saldo de “M1″era de R$ 403 bilhões. Este valor não compromete a continuidade da inflação em baixos patamares.

Podemos, neste momento, fazer uma pergunta: com apenas 6% de recursos disponíveis prontamente para pagamento de bens e serviços, será que nossa sociedade não apresenta uma baixa monetização para estimular as atividades que imediatamente proverão a retomada econômica do país na fase pós-covid-19?

*Agostinho Celso Pascalicchio, doutor em Ciências; mestre em Teoria Econômica pela University of Illinois at Urbana-Champaingn/USA. Bacharel em Ciências Econômicas (FEA-USP) e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie nas áreas de economia, economia da energia e engenharia econômica/finanças.

Sobre a Universidade Presbiteriana Mackenzie

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