*Por Carlo Barbieri

As incertezas causadas pela pandemia, a reforma da previdência aprovada no fim do ano passado, a reforma tributária em tramitação no Congresso e o risco de inflação no Brasil estão entre os motivos dos brasileiros que buscam soluções para poupar e ter uma renda em dólar no futuro. Aumentou, aqui nos EUA, a procura por suporte na dolarização de patrimônio e por informações sobre aposentadoria em dólar.

Ano atípico, 2020 foi marcado por um ano de insatisfação da classe empresarial brasileira. Sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada em abril deste ano, apontou que o índice de satisfação financeira dos empresários brasileiros teve um recuo de 8,6 pontos em relação ao quarto trimestre de 2019, ficando em 41,4 pontos.

Insatisfação comprovada em números. Nos últimos 12 meses até maio deste ano, investidores retiram US$ 50,9 bi do Brasil em aplicações financeiras, de acordo com informações do Banco Central (BC). A retirada em 12 meses é a maior da série histórica, iniciada em 1995. Segundo o Banco Central, os valores englobam aplicações em ações, fundos de investimento e títulos de renda fixa. Entendo que esse movimento de insegurança no mercado está estimulando brasileiros a procurar um futuro mais seguro em uma moeda forte como o dólar.

De janeiro até agora, a consultoria que presido nos Estados Unidos, Oxford Group, detectou um aumento de mais de 60% na procura por brasileiros interessados em investir nos EUA, dolarizar seus patrimônios em busca de protegê-los, e, até mesmo, de garantir aposentadoria em dólar. A principal razão é a insegurança com os rumos da economia brasileira. A pandemia também acelerou a motivação de quem já pensava em investir fora do país para proteger suas rendas e patrimônios.

Existe uma coerência nisso tudo, o mercado financeiro brasileiro passou a prever um tombo maior do Produto Interno Bruto (PIB) de 2020. A projeção de queda da atividade neste ano passou de 5,28% para 5,31%. A expectativa faz parte do boletim de mercado, conhecido como relatório “Focus”, divulgado na última terça-feira (8) pelo Banco Central (BC). O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

O mundo pós-pandemia mostrará que as grandes economias como a americana, por exemplo, se recuperarão mais rápido. Nesse sentido, apostar no dólar como uma moeda internacional estável tem sido uma opção considerável para os brasileiros. A força relativa da economia americana suporta o valor do dólar e tem registrado inflação relativamente baixa ao longo do tempo. É a razão pela qual o dólar é a moeda mais poderosa e mais segura neste momento.

Para acomodar o aumento da demanda criei um sistema que chamamos de “aposente-se em dólar” onde o usuário conta com aplicações que oferecem condições para que uma pessoa ou família tenha um valor mensal ou anual disponível, em dólar, no prazo desejado. O programa tem opções de investimentos em ativos financeiros, no setor imobiliário e em negócios.

Dentro do programa ‘Aposente-se em Dolar’ é possível, por exemplo, adquirir imóveis nos EUA, que darão uma receita média em torno de 6% a 8% ao ano, fora a esperada valorização do mesmo ao longo do tempo. A oportunidade de investimento na área imobiliária, nos EUA é, nos dias de hoje, a melhor alternativa. Ela combina três importantes fatores: rentabilidade, segurança e perspectiva de valorização. É possível conseguir um Certificado de Depósito de um banco de primeira linha com um juro anual de 7% nos EUA, o que é muito superior ao CDs em real, no Brasil.

Antes da pandemia do novo coronavírus, o famoso e gigantesco mercado imobiliário na Flórida, por exemplo, estava em fase positiva de transformação. Levantamento da National Association of Realtors mostrou que antes da pandemia houve um aumento de 24% na compra de casas no estado. Com uma perspectiva mais protecionista em relação à renda e ao futuro, os brasileiros devem, cada vez mais, procurar dolarazir seus patrimônios e investir no futuro em dólar.

*Carlo Barbieri é analista político e economista. Com mais de 30 anos de experiência nos Estados Unidos, é presidente do Grupo Oxford. Consultor, jornalista, analista político, palestrante e educador. Formado em Economia e Direito com mais de 60 cursos de especialização no Brasil e no exterior.