A pandemia está deixando os 600 americanos mais ricos 434 bilhões de dólares ainda mais ricos. A causa disso foi a subida das ações das empresas de tecnologia, segundo dados das organizações Americans for Tax Fairnesse do Institute for Policy Studies.

Essa subida se deve ao aumento do comércio eletrônico e do consumo de ferramentas de tecnologia em função do grande número de pessoas recolhidas às suas casas, onde estão trabalhando, estudando e buscando recreação.

A riqueza desse pessoal subiu cerca de 15% nos 60 dias que se seguiram a 18 de março; os que estão ganhando mais são Jeff Bezos, da Amazon e Mark Zuckerberg, do Facebook. Bezos viu sua riqueza aumentar em 30%, chegando a 148 bilhões de dólares; Zuckerberg viu seu patrimônio crescer 45%, atingindo 80 bilhões. A fortuna de Bill Gates, da Microsoft, cresceu um pouco menos, 8%.

Como contraponto, a perda, apenas nos Estados Unidos, de quase 40 milhões de empregos, a contaminação de cerca de 1.7 milhão de pessoas e as mais de 100 mil mortes até 27 de maio. Vale lembrar também da demissão em massa de funcionários da Amazon, empresa de Bezos, que reclamaram das más condições de trabalho a que estão sendo submetidos nos armazéns da empresa no país, fato que provocou o pedido de demissão de um dos vice-presidentes da empresa.

Posturas como essas acabam levando-nos a não acreditar que a pandemia possa trazer mais solidariedade de forma generalizada – a ambição desmedida segue sendo uma das piores características dos seres humanos.

Vivaldo José Breternitz é Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.