De acordo com recente pesquisa do Banco Mundial com 150.000 pessoas, The Global Findex Database 2017: Measuring Financial Inclusion and the FinTech Revolution, 69% dos adultos que responderam à pesquisa têm uma conta bancária. Isso varia significativamente na região da América Latina, com o Brasil alinhado à média global, com 70%, enquanto a penetração de serviços bancários é muito menos pronunciada em países como a Colômbia, com 46%, e o México, com 37%.

No entanto, uma das descobertas notáveis do mesmo relatório é que dois terços das pessoas sem acesso a bancos usam telefone celular. Isso é importante por demonstrar que, mesmo que muitos clientes em potencial não tenham acesso a bancos, eles terão a possibilidade de acessar transações semelhantes às bancárias de novas maneiras e de fazer negócios por meio de smartphones.

Tendo esse pano de fundo como norte, a IDC realizou, sob encomenda do PayPal, a pesquisa “Como as FinTechs e bancos podem democratizar os serviços financeiros na América Latina”, que entrevistou 1.067 usuários de smartphone na Colômbia, no México e no Brasil. Missão? Desvendar o relacionamento dos clientes com as instituições bancárias e com as FinTechs, e encontrar pontos-chave para o desenvolvimento de um novo relacionamento entre eles em prol do consumidor.

A seguir, os highlights do estudo:

As FinTechs representam uma oportunidade para ajudar as organizações bancárias a obter um entendimento mais próximo das necessidades dos clientes, mantendo a confiança e fornecendo serviços para recrutar e reter a próxima geração de clientes móveis.

Os esforços conjuntos entre instituições bancárias/financeiras tradicionais e a mais nova geração de FinTechs serão um poder transformador para a democratização dos serviços financeiros na América Latina. Mais de um quarto de bilhão de pessoas em todo o mundo entrarão nos mercados financeiros formais por meio de serviços financeiros básicos nos próximos três anos.

Mais da metade dos entrevistados entre 18 e 49 anos de idade na América Latina usam smartphone como método para acessar serviços bancários/financeiros.

México, Brasil e Colômbia representam 69% do ecossistema de fintechs na América Latina.

56% dos brasileiros pesquisados usam serviços financeiros/bancários sem localizações físicas/agências.

24.3% interagem com instituições bancárias/financeiras via mobile no Brasil.

65% dos brasileiros usam smartphones via app para abrir conta em banco ou adquirir produtos/serviços financeiros; e 52% fazem isso de forma online por meio de seu PC.

45,3% dos brasileiros usam cartões de crédito e débito (separadamente).

43% dos pesquisados no Brasil usam cartão de débito e 57% usam cartão de crédito.

50% dos brasileiros usam cartão de crédito para angariar pontos e recompensas nos programas de fidelidade; 66%, por causa dos prazos e das condições de pagamento; e 48% para ter mais controle sobre o orçamento.

58% dos brasileiros usam cartão de débito para controlar melhor as finanças; e 55% porque seu salário cai na conta em que o cartão está vinculado.

73% dos pesquisados no Brasil usam cartão de crédito para compras com valor acima de $50; e 39% usam cartão de débito para compras com valor abaixo de $50.

61% dos brasileiros usam digital wallets.

64% dos brasileiros não usam serviços de instituições bancárias sem localizações físicas/agências porque não estão familiarizados com esse tipo de empresa.

A única empresa com pontuação mais alta do que a categoria geral de bancos foi o PayPal, que recebeu notas altas em categorias como proteção de dados financeiros, atendimento ao cliente, facilidade de interação, velocidade para resolver problemas e no quesito “a empresa em que posso confiar”.

Também com base na pesquisa da IDC e nas conclusões do levantamento, a seguir estão algumas linhas de negócios nas quais fintechs e organizações financeiras podem encontrar oportunidades de parceria.

Banco de varejo

Aplicativos de celular bem desenvolvidos revolucionaram o modo como os consumidores usam contas vinculadas ao acesso em smartphones. Isso se tornou mais atraente para os usuários mais jovens, que também buscam sofisticação e têm menos afinidade com o sistema bancário tradicional.

Mais da metade da amostra entrevistada usou um telefone celular para abrir uma nova conta bancária ou obter um novo produto ou serviço financeiro.

Pagamentos no varejo. Os usuários valorizam a variedade de opções de pagamento (off-line, on-line, móvel e entre pessoas físicas), mas sua melhor experiência se dá quando podem substituir a inserção manual de dados para pagamentos, faturamento e frete com um único toque na tela. O pagamento via smartphone no ponto de venda está ganhando maior aceitação.

Mais de um terço dos entrevistados preferem usar seu smartphone para pagar contas ou transferir dinheiro, com suas expectativas crescentes para o futuro.

A penetração de serviços bancários entre as classes A, B e C é alta. Mais de 45% da amostra usam cartões de crédito e débito. Os programas de fidelidade e recompensas ajudam em sua experiência de compra.

Pagamentos a comerciantes. São atraentes os meios que não implicam na necessidade de equipamentos específicos para ponto de venda, taxas padronizadas e processos simples que aceitem cartões de débito/crédito, além de pagamentos eletrônicos. As empresas podem ampliar experiências móveis com as quais os consumidores já estão familiarizados.

A mobilidade também está contribuindo com a inclusão bancária por meio do uso de carteiras digitais. Seu uso e aceitação estão intimamente ligados à faixa etária.

Empréstimos ao consumidor. O mercado de empréstimos digitais conecta instituições bancárias e fintechs com empresas ou consumidores, individualmente ou em conjunto, com classificação de risco e taxas nominais. Os usuários e as empresas recebem benefícios com taxas de juros mais baixas do que poderiam obter dos credores padrão.

O uso de aplicativos em smartphones para comunicação, digitalização de documentos obrigatórios e atualização de formulários resultam em uma experiência positiva para o consumidor e em um processo simplificado para os bancos. Além disso, as operações e os processos para ambas as partes são convenientes e diretos.

O uso de serviços financeiros ou bancários oferecidos por empresas exclusivamente mobile, sem localização física ou agências tornou-se mais popular na América Latina.

11% dos empréstimos pessoais mais recentes da amostra foram solicitados por meio de um smartphone e 7% por meio de uma fintech.

(*) Para elaborar a pesquisa “Como fintechs e bancos podem democratizar os serviços financeiros na América Latina”, a IDC realizou uma pesquisa online em maio de 2019 com 1.067 consumidores das classes socioeconômicos A, B e C no Brasil, Colômbia e México para conhecer suas preferências em transações e canais financeiros, uso de cartões de crédito/débito e de carteiras digitais, assim como benefícios potenciais para consumidores, empresas e organizações bancárias. A pesquisa não teve limitações na amostra, exceto que os entrevistados possuíssem um smartphone e tivessem pelo menos 18 anos de idade. A amostra apresentou uma boa composição tanto feminina quanto masculina (53% e 47% respectivamente), e a margem de erro em nível regional para os três países combinados foi de 3%, e 5% quando analisamos os países individualmente.