*Por Josefina Guedes

Estamos literalmente em um governo de transição. Na área econômica, já temos uma definição clara, pelo menos de forma preliminar, de qual será a política econômica desse novo governo, com Paulo Guedes e toda sua equipe no super Ministério da Economia, que vai absorver as atribuições dos Ministérios da Fazenda, da Indústria, Comércio Exterior e Serviços e do Planejamento e Gestão.

Na esfera comercial, gostaria de chamar atenção para fatos que vem acontecendo há mais de dois anos, as publicações de diversos artigos de acadêmicos e formadores de opinião, com viés neoliberal, quase que orquestrados, os quais se intensificaram nesse último ano.

Interessante observar que todos apregoaram as reduções unilaterais de tarifas de importação do Brasil, como solução para o aumento da produtividade e competitividade da indústria brasileira.

Além é claro, de tentarem desvirtuar o conceito dos instrumentos de defesa comercial, quase que satanizando as medidas de antidumping, direitos compensatórios e de salvaguardas, utilizados por todos os membros da Organização Mundial de Comércio, justamente para garantir o livre comércio justo, “Fair Trade”.

Fora os artigos, vários estudos técnicos vem sendo publicados, mas todos alinhados, em um viés neoliberal, sem levar em consideração todos os demais outros fatores econômicos, políticos e jurídicos, que realmente, geram perda de competitividade e dano à nossa economia e às indústrias brasileiras.

É dentro desse contexto que vários meios de comunicação estão agora apregoando que a política externa brasileira será de direita, em lugar de observar que deixará de ter viés ideológico, que seria o certo mencionar.

Está claro que o novo governo quer se afastar de um comércio voltado para ideologias, que trouxeram algum benefício social em um primeiro momento, mas que foi se degradando, nos últimos anos, diante da crise política e econômica, nunca vista no País.

Está mais claro, ainda, que o novo governo quer ampliar suas relações com países e blocos que poderão agregar valores de forma mais pragmática, principalmente em relação à nossa soberania e à segurança nacional.

Com relação ao Mercosul, quando é dito que não tem prioridade, não significa necessariamente que o Brasil abandonará o Mercosul, como a Inglaterra está fazendo com a União Europeia. Mas sim uma mudança na relação com os países e blocos, deixando o lado ideológico, para ter uma relação de comércio mais estratégico, o que muito agradará aos setores industriais e ao agronegócio.

Então, afirmar que nossa política externa será de “direita” nesse momento, quando os interesses dos brasileiros irão sobrepor aos interesses puramente ideológicos? Não seria mais correto afirmar que será mais “nacionalista”, defendendo seus empregos, o aumento da renda, a segurança alimentar e soberania nacional?

Esse é o ponto central e fundamental, que precisa ser entendido pelos grandes formadores de opinião. Precisamos ser mais flexíveis em relação aos conceitos, para começarmos a eliminar da nossa sociedade esses discursos extremistas que tanto dividiram nossa nação. Precisamos de união e de defesa dos interesses nacionais nesse momento tão complexo que passa nosso Brasil.

*Josefina Guedes- Economista Especializada em Comércio Internacional e Diretora da GBI Consultoria Internacional