Em dezembro de 1981, um jovem advogado americano de Cleveland, Ohio, voltou de uma temporada de quatro anos no Rio de Janeiro com dois filhos no braço e uma ideia na cabeça. Os filhos eram Joshua e Zachary Skola, cariocas da gema, e a ideia era de criar uma entidade empresarial para representar, incrementar e estimular o então crescente intercâmbio comercial entre o estado da Flórida e o Brasil. Nascia ali a Brazilian-American Chamber of Commerce of Florida, hoje a maior câmara de comércio binacional do estado.

A relação de Thomas Skola com os latinos vem de longe, quando ainda era recém-formado em Ciências Políticas pela University of Rochester, em 1965. Uma bolsa de estudos e um inquieto interesse por novas culturas e aventuras o levaram para viagens ao Chile, Espanha e Argentina, lugares onde ganhou intimidade com a latinidade, assimilando a cultura, aprendendo o espanhol e o jeito latino de fazer as coisas.

De volta a Nova York, decidiu acrescentar mais um título ao currículo, formando-se em Direito pela Columbia University. Graças ao conhecimento do espanhol e à experiência adquirida nas viagens pelo mundo latino, Skola foi trabalhar em 1972 no maior escritório de Direito Internacional do País na época, o Curst, Mallet-Prevost, Colt & Mosle (CMPC&M), que atuava fortemente na área do direito interamericano.

Dois anos depois,  o CMPC&M abria um escritório em São Paulo, e Skola foi escolhido para comandá-lo. Na capital paulista, aprendeu o português e acumulou ainda mais experiência sobre o modo latino de fazer negócios – desta vez brasileiro – e ganhou intimidade com grandes empresas e empresários que anos mais tarde se tornariam clientes do seu próprio escritório.

Em 1977, Skola recebeu uma proposta para representar o escritório de advocacia de Augusto Nobre, no Rio de Janeiro. Passou quatro anos na Cidade Maravilhosa, tempo que carimbou de vez a brasilidade no seu passaporte, além de temperar com um sotaque carioca o seu português. Lá ele ganhou dois filhos, Josh e Zach, e teve a ideia de criar uma câmara de comércio que representasse as relações comerciais entre Flórida e Brasil. Skola ainda guarda o seu ‘green card’ brasileiro, o famoso Modelo 19, que preserva e usa nas viagens que faz ao Rio para matar as saudades.

Do Rio veio para Miami, em 1981, indo trabalhar no escritório de Taylor, Brion, Buker & Greene, e logo começou a movimentar-se para colocar em prática a ideia que teve no Brasil, de criar uma câmara de comércio binacional, a futura Brazilian-American Chamber of Commerce of Florida. Procurou o então representante diplomático brasileiro em Miami, que não foi muito receptivo. Na época não havia ainda um Consulado-Geral na cidade, comandado por um diplomata, somente um escritório de representação oficial. Resolveu então arregimentar para a causa os diretores das duas maiores empresas brasileiras com presença no estado que ele conhecia – os executivos Newton Berwig e Ari Siebel, da Embraer e da Varig, respectivamente – que embarcaram de imediato na ideia e se propuseram a ajudar no que fosse possível para a criação da Câmara. Surgia assim a Brazilian-American Chamber of Commerce of Florida, a BACCF, com Skola acumulando as funções de tesoureiro e presidente, auxiliado pela eficiente primeira diretora-executiva da entidade, Gisela Koch.

Avalizada pelas credenciais de Skola e com a chancela fundamental das voadoras Embraer e Varig, a BACCF decolou rapidamente. Logo vieram outros membros de peso, como os bancos Real, Banespa e Nacional, nomes fortes na época. Com a abertura do Consulado-Geral do Brasil em Miami, comandado pelo embaixador Carlos Alberto Pereira Pinto, a Câmara ganhou enfim o apoio oficial do governo brasileiro. Desde então, o Cônsul-Geral em Miami em exercício é o presidente de honra da BACCF, presença certa nos eventos mais importantes da entidade, como o Brazilian Independence Gala e o Excellence Award. Desse tempo são os membros e colaboradores pioneiros da BACCF, como Renato Scaff, Paul Rocha, Bruno Borghini, Eduardo Santos, Paulo Ehlers e tantos outros. Foi por essa época, também, que começou um dos mais tradicionais eventos anuais da BACCF, a descontraída Feijoada da Câmara, degustada pela primeira vez na casa da advogada Hillary Langen, em 1983.

Em 1984, a BACCF elegeu seu primeiro presidente depois de Skola, o empresário Paulo Afonso Pena. Desde então, um novo presidente assume a cada ano, eleito pelo Board of Directors. Até chegar ao atual presidente, Guilherme Gatti, vinte e nove executivos, alguns deles reeleitos para um segundo mandato, passaram pela presidência da BACCF nesses seus quase quarenta anos de existência. Graças também à competência de suas diretoras-executivas, primeiro Pat Roth, depois Glória Johnson, e desde 1999 Mary Arnaud, a BACCF contou sempre com uma estrutura administrativa robusta e uma meticulosa organização nos seus eventos e calendário. O governo brasileiro reconheceu a importância da BACCF para o reforço nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e Tom, como os colegas da BACCF chamam informalmente o fundador, recebeu a Comenda da Ordem de Rio Branco, a mais alta homenagem oficial do governo brasileiro.

Hoje, quase quarenta anos depois da realização de uma ideia, a Brazilian-American Chamber of Commerce of Florida consolidou-se como a maior câmara de comércio binacional do estado. São mais de duzentos membros, entre multinacionais, grandes e pequenas empresas, executivos brasileiros e americanos, todos reunidos num grande fórum de alto nível voltado para o debate sobre relações comerciais entre Brasil e a Flórida. Seus eventos anuais, como os citados Excellence Award e Independence Day Gala, estão entre os mais importantes do calendário empresarial de Miami, dos mais concorridos entre executivos e empresários da cidade.

A BACCF tem papel fundamental na orientação sobre investimentos e incorporações brasileiros nos Estados Unidos. Através de suas palestras, cursos e workshops, tanto aqui quanto no Brasil, a BACCF mostra aos interessados um panorama completo do universo corporativo, econômico, político e legislativo americano, ilustrado por profissionais de indiscutíveis competência e experiência. Um dos mais importantes e concorridos desses programas é o seminário anual “Como Ingressar e Investir no Mercado Norte-Americano”, onde o executivo conhece todos os melhores caminhos para a expansão da sua empresa no maior mercado do mundo. A mais nova iniciativa da Câmara nesse sentido, o chamado Road Show, leva para o Brasil um grupo de líderes selecionados que promovem palestras educativas sobre como fazer e expandir negócios nos Estados Unidos, sempre em parceria com entidades locais importantes, como AMCHAM, SEBRAE, CIN e FECOMERCIO.

Além do seu caráter empresarial, com seus instrumentos de orientação para o incremento dos negócios entre as duas maiores economias das Américas, a Brazilian-American Chamber of Commerce of Florida é um grande clube empresarial, onde amizades são construídas ao longo do tempo e reforçadas nos seus eventos de confraternização, como a já citada Feijoada, o Summer Extravaganza e o Soccer Tournament, seus cafés da manhã e recepções, momentos quando se faz sentir melhor o descontraído tempero carioca que o americano Thomas Skola, seu fundador, trouxe do Brasil para criar a maior entidade de estímulo para os negócios entre Brasil e Estados Unidos no estado da Flórida.

 

 

Skola com Glória Johnson (ex-diretora executiva da BACCF) e Mary Arnaud (atual diretora)